domingo, janeiro 14, 2001

Hoje fui ver o tal do "Dancer in the Dark" do Lars Von Trier. Ok, eu admito que sou um tanto impressionável, chorei até no "Idioterne", mas este exagerou. Chorei feito condenada, soluçava qual bebê desmamado...foi patético, confesso. Bem, vamos começar pelo começo. O filme é bom, muito bom, mas demanda um alto nível de imersão por parte do expectador, o que gera afogamento no cinema. A impressão que se tem é que cada movimento da câmera é destinado apenas a causar desconforto e miséria. A história é aquele melodrama clássico, sem grandes inovações. A Björk já é bestseller, cantando lindamente, linda como uma foca, e gritando como um porco agonizante nas partes mais desesperadoras do filme. Acho que ela fez workshop com a Diamanda Galas antes de gravar...hehe. Comparando com o anterior ("Idioterne") notei uma coisa interessante. "Idioterne" é um filme totalmente catártico, provoca reflexão imediata e (se for o caso) intensa identificação (foi o meu). Já "Dancer in the Dark" não tem esse imediatismo, apesar de ser carregado de uma carga musical belíssima, o som das máquinas e toda essa coisa poética, que deixa um estado de graça logo na primeira cena musical do filme. A questão é que, como "Idioterne", este aqui também tem uma 'moral da história', - que fica explícita na última frase do filme. Infelizmente, precisei esperar até que as lágrimas secassem e meus olhos desinchassem para pensar direito sobre isso. Mas então já faziam três horas que eu tinha saído do cinema. Efeito retardado, sim senhor, seu Lars. De tanto sadismo e desejo de provocar uma reação, o senhor acabou AFOGANDO a idéia central do seu filme. Eu mesma só me dei conta lá pela quarta cerveja. Bem ou mal, sobrevivi. Mas se eu soubesse que seria assim, quem sabe tivesse saído do cinema na penúltima música; agora tenho medo de chorar com "The Sound of Music".

sábado, janeiro 13, 2001

Incenso fosse musica

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar alem

- - Paulo Leminski

Diafora

neste ponto
ponho ponto
pus ponto ao
pus do ponto
podre deste
poema sonho.
e ponto.
AS INSANAS AVENTURAS DE LORENA (ARTPORN PULP PARTE II) Cena Dois.
Mesmo galpão.
Som de trepada arrastada (respiraçõs oscilantes e gemidos tímidos). Musica de fundo:

Lorena e o rapaz morto (isto é um flashback, OBVIAMENTE ele ainda estava vivo) estão trepando no chão, O véu de luz branca sobre eles. Desta vez o véu oscila, produzindo pequenos blackouts que (B.O.). Eles rolam pelo chão sujo. (Qualquer coisa no chão é invisível, somente se pode saber que está sujo pela sujeira nos corpos dos dois.) A câmera captura detalhes de seus movimentos, sempre deixando livre a parte superior do frame. Lorena está de quatro, apertando os dentes. B.O.(ao primeiro sinal da expressão no rosto de Lorena) O rapaz retira seu falo e a vira para si, com rudeza. B.O. Ela, de joelhos dobrados, pernas abertas. Ele lambe seus pés. O rosto de Lorena se acalma. Ela sorri com tranqüilidade e fecha os olhos, inclinando-se para trás. Ele sobe com a língua por seu corpo, chupando e mordendo-lhe as pernas, joelhos e coxas de forma a envolvê-las em espiral. C.U. Na ponta de sua língua, uma pequena argola. Ela olha para baixo. Parece muito feliz e relaxada. Ele sopra de leve seus pelos pubianos. B.O. Põe para fora sua língua “ereta” e começa a chupá-la, aperta seus seios pequenos. B.0. Ele passa o dedo em sua vagina e esfrega o líquido viscoso em seus mamilos, em movimentos circulares com o dedo médio. Ela levanta um pouco a cabeça e torna a batê-la no chão, com um pouco mais de força do que o normal. Suas costas se arqueiam. B.0. Ele segura suas pernas e as coloca ao redor do pescoço. Começa a violá-la demoradamente. B.0. Ela estica para trás de sua cabeça os braços o mais que pode, alongando a silhueta já leve. (Somente seu rosto e braços estão no frame). B.0. Plano Geral.( O mesmo da cena um).B.0.

Créditos
Musica dos créditos:Spacehog - Pure Horror)
AS INSANAS AVENTURAS DE LORENA (ARTPORN PULP PARTE I)Cena Um
Interior de um galpão (algo como cais do porto)
Som noite.

Lorena está sentada. Ela tem profundas olheiras e encontra-se nua, inerte sobre uma almofada verde-esmeralda. Seus olhos estão parados e seus lábios se movem mínimamente sem dizer nada inteligível. DOLLY IN. Seus lábios se movendo, a lingua passeando pelos dentes. Ela passa a língua pelo lábio inferior. DOLLY OUT(Plano geral – a penumbra é iluminada apenas por uma janela. Um foco branco a la Giselle sobre ela forma quase um véu. Sentada sobre a almofada verde. Lorena olha para o lado. Vê o Corpo sem vida ao seu lado. Documenta-o com o olhar (cam).

LORENA(em off): Enfim A PARTIDA na direção do inevitável algo que não nada. Algo que aguarda. Não sei se ou como voltar de lá. No entanto não fujo aos tropeços do destino, enquadro-me neste esquadro estático (quadrante apático), no entanto flexível. Este corpo sem vida ao meu lado, por exemplo, me sorri em mórbida rigidez. Eu posso afagar-lhe os cabelos, a fronte gelada. Posso provar de sua língua. Posso tomar quaisquer caminhos por sua sublime anatomia. Nada parece funcionar. Nada sinto. Eu posso mesmo debruçar-me sobre ele e jurar-lhe amor. Ele nada faria para me machucar. Ele nada pode fazer. Sinto ímpetos de chutá-lo, porém desisto. Agora tenho que ir embora. Tenho que ir embora.
Ela levanta-se e vai embora deixando o corpo do rapaz sob o foco “de véu”. Sai do frame. Lorena cantarola uma canção infantil. Xuxa ou angélica.

Corta


"o inferno não é a tortura da dor! é a tortura de uma alegria." --C. Lispector.


meus pulmões chapas de chumbo pesam puxam
meu tórax em direção ao chão o fardo da
gravidade me suga em seu vórtex buraco negro
do mundo não passo de um peso a mais sobre a
terra morna quente faminta por corpos febris que a
paixão não devore meu peito apenas hoje por ti
inesperarme (para leonardo)

já que o dia é longo e você não está aqui
te canto uma canção que antes nunca ouvi
com os olhos e a boca fechada
já que o dia é findo e não estás aqui
opposing boots
with tallow in shins
I can walk without them




botas opostas
com sebo nas canelas
posso andar sem elas



les bottes d' opposition
avec le suif dans les shins
je puis marcher sans eux
Treze de janeiro de dois mil, vamos entrando nessa onda de modernidade por razão alguma senão a falta absoluta de atividades melhores...pode-se dizer que é um motivo nobre o suficiente?